top of page

Microplásticos na água: riscos, fontes e como um laudo laboratorial fortalece a segurança e a conformidade da sua empresa

  • Foto do escritor: Keller Dantara
    Keller Dantara
  • 23 de jan.
  • 7 min de leitura

Introdução


Nas últimas duas décadas, a presença de microplásticos em ambientes aquáticos deixou de ser um tema restrito à oceanografia para se tornar uma questão transversal, envolvendo saúde pública, segurança de alimentos, controle ambiental e gestão de riscos corporativos. Microplásticos são geralmente definidos como partículas plásticas com dimensão inferior a 5 milímetros, resultantes tanto da fragmentação de resíduos maiores quanto da produção intencional de partículas microscópicas para uso industrial ou cosmético.


Estudos publicados por instituições como a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que esses fragmentos já foram detectados em águas superficiais, subterrâneas, potáveis e até em água engarrafada. Uma metanálise publicada na revista Environmental Science & Technology (2018) estimou a presença de microplásticos em mais de 90% das amostras globais de água engarrafada analisadas, ainda que em concentrações variáveis.


A relevância do tema ultrapassa a esfera ambiental. Empresas dos setores alimentício, farmacêutico, cosmético, hospitalar e de bebidas operam sob rigorosos padrões de qualidade e segurança, nos quais a água desempenha papel central — seja como matéria-prima, insumo de processo ou componente final do produto. A presença de microplásticos pode impactar não apenas a conformidade regulatória, mas também a reputação institucional, a rastreabilidade e a sustentabilidade corporativa.


Além disso, há crescente debate científico sobre potenciais efeitos toxicológicos. Embora os impactos diretos na saúde humana ainda estejam em investigação, estudos recentes demonstram que partículas nanoplásticas podem atravessar barreiras biológicas e atuar como vetores de contaminantes químicos adsorvidos, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e metais pesados.


Este artigo analisa o tema sob uma perspectiva técnica e institucional, abordando:

  • O histórico e os fundamentos científicos do problema dos microplásticos;

  • As principais fontes de contaminação hídrica;

  • Os impactos regulatórios e operacionais para empresas;

  • As metodologias laboratoriais disponíveis;

  • O papel estratégico do laudo analítico na gestão de riscos e conformidade.



Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos


A emergência científica do tema

O termo “microplástico” ganhou visibilidade a partir de 2004, quando pesquisadores da Universidade de Plymouth publicaram, na revista Science, evidências da presença de fragmentos microscópicos de polímeros em sedimentos marinhos. Desde então, o tema tornou-se recorrente em publicações científicas e relatórios ambientais globais.


Inicialmente associado à poluição marinha, o conceito expandiu-se para incluir sistemas fluviais, estações de tratamento de água e redes de abastecimento. Estudos conduzidos pela United States Environmental Protection Agency (EPA) demonstraram que estações convencionais de tratamento removem parcela significativa das partículas maiores, mas não são totalmente eficazes na retenção de partículas na faixa micrométrica e nanométrica.


Classificação e tipologia

Microplásticos são geralmente classificados em:

  • Primários: produzidos intencionalmente em tamanho microscópico (microesferas de cosméticos, abrasivos industriais).

  • Secundários: originados da fragmentação de resíduos plásticos maiores por ação de radiação UV, abrasão mecânica ou degradação química.


Os polímeros mais frequentemente identificados incluem polietileno (PE), polipropileno (PP), poliestireno (PS) e polietileno tereftalato (PET). A composição química influencia densidade, persistência ambiental e potencial de adsorção de contaminantes.


Bases físico-químicas

Do ponto de vista teórico, microplásticos apresentam alta área superficial específica e propriedades hidrofóbicas. Essas características favorecem a adsorção de compostos orgânicos persistentes (POPs) e metais traço. O fenômeno é descrito por modelos de partição sorptiva, baseados em princípios de química ambiental e termodinâmica de superfície.


A interação entre microplásticos e poluentes pode alterar a biodisponibilidade de contaminantes e influenciar ciclos biogeoquímicos. Esse aspecto fundamenta a preocupação regulatória, especialmente em cadeias produtivas que dependem de padrões rígidos de pureza.


Marco regulatório

Embora ainda não exista, no Brasil, limite específico para microplásticos em água potável, a Portaria GM/MS nº 888/2021 do Ministério da Saúde estabelece padrões para controle de contaminantes físicos, químicos e microbiológicos. A discussão sobre microplásticos está em análise em fóruns técnicos nacionais e internacionais.


Na União Europeia, a European Chemicals Agency (ECHA) propôs restrições ao uso intencional de microplásticos em produtos industriais. Nos Estados Unidos, o Microbead-Free Waters Act (2015) proibiu microesferas plásticas em cosméticos enxaguáveis.


Normas técnicas como ISO 5667 (amostragem de água) e protocolos de análise ambiental vêm sendo adaptados para incorporar procedimentos específicos para identificação de microplásticos.


Importância Científica e Aplicações Práticas


Impactos ambientais e sanitários

Microplásticos já foram detectados em águas superficiais brasileiras, segundo estudos publicados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade de São Paulo (USP). Em ambientes marinhos, sua ingestão por organismos pode comprometer cadeias tróficas.


No contexto de abastecimento humano, o debate concentra-se na exposição crônica e nos possíveis efeitos inflamatórios ou citotóxicos. Pesquisa publicada em 2022 na revista Science of the Total Environment identificou partículas plásticas em tecidos pulmonares humanos, sugerindo múltiplas vias de exposição.


Setor alimentício e de bebidas

Empresas do setor alimentício utilizam água em formulações, higienização e geração de vapor. A presença de microplásticos pode:

  • Comprometer parâmetros de qualidade;

  • Impactar certificações como FSSC 22000 e ISO 22000;

  • Gerar riscos reputacionais.


Grandes multinacionais já incorporam monitoramento ambiental em seus relatórios ESG (Environmental, Social and Governance), evidenciando que o controle de microplásticos tornou-se indicador estratégico.


Indústria farmacêutica

Na indústria farmacêutica, a água purificada (PW) e a água para injetáveis (WFI) seguem especificações rigorosas segundo a Farmacopeia Brasileira e a United States Pharmacopeia (USP). A presença de partículas não previstas pode resultar em não conformidades críticas.


Cosméticos e produtos de higiene

Após a proibição de microesferas plásticas em cosméticos enxaguáveis em diversos países, empresas passaram a buscar alternativas biodegradáveis. No entanto, o controle da qualidade da água de processo permanece essencial para evitar contaminação cruzada.


Estudo de caso institucional

Um laboratório ambiental europeu relatou redução de 35% na concentração de partículas plásticas em água de processo após implementação de filtração por membranas de ultrafiltração combinadas com monitoramento periódico por espectroscopia FTIR.


Esse tipo de evidência demonstra que intervenções técnicas, aliadas a análises laboratoriais sistemáticas, produzem resultados mensuráveis.


Metodologias de Análise


A análise de microplásticos envolve desafios técnicos relacionados à heterogeneidade de tamanhos e composições.


1. Filtração e microscopia

Método preliminar que utiliza membranas filtrantes com posterior análise por microscopia óptica ou eletrônica. Permite contagem e caracterização morfológica.


2. Espectroscopia FTIR (Fourier Transform Infrared Spectroscopy)

Permite identificação química do polímero por comparação espectral com bibliotecas de referência. É amplamente utilizada em estudos ambientais.


3. Espectroscopia Raman

Adequada para partículas menores, inclusive na faixa nanométrica. Apresenta alta resolução molecular.


4. Pirólise acoplada à cromatografia gasosa (Py-GC/MS)

Método destrutivo que identifica polímeros com base em produtos de degradação térmica. Oferece quantificação precisa.


Normas e protocolos

Embora ainda não exista norma ISO exclusiva para microplásticos em água potável, protocolos baseiam-se em adaptações de métodos ambientais consolidados, como:

  • ISO 5667 – Amostragem de água

  • Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (SMWW)

  • Diretrizes da EPA para análise de partículas


Limitações

  • Risco de contaminação cruzada durante amostragem;

  • Ausência de padronização global;

  • Desafios na detecção de nanoplásticos.

Apesar dessas limitações, avanços tecnológicos vêm ampliando sensibilidade e confiabilidade analítica.


Considerações Finais e Perspectivas Futuras


A presença de microplásticos na água representa um dos desafios emergentes mais relevantes para a ciência ambiental e para a governança corporativa. Embora os impactos toxicológicos ainda estejam sob investigação, a tendência regulatória aponta para maior rigor e padronização de monitoramento.

Para empresas, a realização de laudos laboratoriais periódicos não deve ser vista apenas como exigência técnica, mas como instrumento estratégico de gestão de riscos, transparência e conformidade com princípios ESG.


Investimentos em monitoramento, rastreabilidade e inovação tecnológica — como sistemas avançados de filtração e espectroscopia de alta resolução — tendem a se consolidar nos próximos anos.


No cenário institucional, espera-se a publicação de normas específicas e limites regulatórios formais, o que reforça a importância de antecipação e adequação preventiva.


Ao integrar análise laboratorial, gestão ambiental e compromisso com qualidade, empresas fortalecem não apenas sua conformidade legal, mas também sua credibilidade científica e responsabilidade socioambiental.


A Importância de Escolher a Polaris Análises


Com anos de experiência no mercado, a Polaris Análises possui um histórico comprovado de sucesso em análises laboratoriais.


Empresas do setor alimentício, indústrias farmacêuticas, laboratórios e outros segmentos confiam na Polaris Análises para garantir a segurança e qualidade da água utilizada em suas atividades.


Evitar riscos de contaminação é um compromisso com a saúde de seus clientes e com a longevidade do seu negócio. Investir em análises periódicas é um diferencial que fortalece sua reputação e evita prejuízos futuros.


Para saber mais sobre os serviços da Polaris Análises - Análises de Ar, Água, Alimentos, Swab e Efluentes ligue para (11) 91776-7012 (WhatsApp) ou clique aqui e solicite seu orçamento.


❓ FAQs – Perguntas Frequentes


1. O que são microplásticos e por que são motivo de preocupação na água? 

Microplásticos são partículas plásticas com tamanho inferior a 5 milímetros, originadas da fragmentação de resíduos maiores ou produzidas intencionalmente para uso industrial. Sua preocupação decorre da persistência ambiental, da capacidade de adsorver contaminantes químicos e do potencial de exposição humana por ingestão de água potável ou água utilizada em processos produtivos.


2. A presença de microplásticos na água representa risco imediato à saúde? 

Ainda não há consenso científico definitivo sobre os efeitos diretos na saúde humana em baixas concentrações. No entanto, estudos indicam que partículas microscópicas podem atuar como vetores de poluentes químicos ou atravessar barreiras biológicas. Por esse motivo, o tema é tratado com enfoque preventivo em avaliações de risco e políticas regulatórias.


3. Quais são as principais fontes de microplásticos na água? 

As fontes incluem a degradação de embalagens plásticas, fibras sintéticas liberadas durante a lavagem de tecidos, abrasão de pneus, resíduos industriais e falhas em sistemas de tratamento de água e efluentes. Em ambientes industriais, também podem ocorrer contribuições provenientes de processos produtivos e materiais poliméricos utilizados nas instalações.


4. Empresas que utilizam água como insumo devem se preocupar com esse tipo de contaminação? 

Sim. Setores como alimentos, bebidas, fármacos e cosméticos dependem de padrões rigorosos de qualidade da água. A presença de partículas não previstas pode gerar não conformidades regulatórias, comprometer certificações e impactar a reputação institucional, especialmente em contextos de auditorias e exigências ESG.


5. Como os microplásticos são identificados tecnicamente em laboratório? 

A identificação envolve etapas de filtração, separação e caracterização por técnicas como microscopia óptica ou eletrônica, espectroscopia no infravermelho (FTIR), espectroscopia Raman e pirólise acoplada à cromatografia gasosa (Py-GC/MS). Esses métodos permitem determinar tamanho, morfologia e composição química das partículas com elevado grau de precisão.


6. De que forma um laudo laboratorial contribui para a gestão de risco da empresa? 

O laudo fornece evidências técnicas documentadas sobre a qualidade da água utilizada ou comercializada, permitindo rastreabilidade, conformidade com normas sanitárias e ambientais e tomada de decisão baseada em dados. Além de reduzir riscos regulatórios, fortalece a transparência institucional e demonstra compromisso com controle de qualidade e responsabilidade socioambiental.



Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.
bottom of page