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Riscos de Contratar um Laboratório Não Acreditado: Impactos Técnicos, Regulatórios e Institucionais

  • Foto do escritor: Keller Dantara
    Keller Dantara
  • 14 de fev.
  • 7 min de leitura

Introdução


A confiabilidade de resultados laboratoriais constitui um dos pilares da segurança sanitária, ambiental e industrial contemporânea. Em setores altamente regulados — como o farmacêutico, alimentício, cosmético e ambiental — decisões críticas são tomadas com base em laudos analíticos que atestam conformidade, segurança e desempenho. A escolha do laboratório responsável por essas análises, portanto, não é meramente operacional: trata-se de uma decisão estratégica com implicações técnicas, jurídicas e reputacionais.


Nos últimos anos, a expansão do mercado de análises laboratoriais no Brasil e no mundo trouxe consigo uma heterogeneidade significativa na qualidade dos serviços ofertados. Embora muitos laboratórios operem sob sistemas robustos de gestão da qualidade, outros atuam sem acreditação formal, sem rastreabilidade metrológica adequada ou sem validação documentada de métodos analíticos. A ausência de acreditação — especialmente segundo a norma ABNT NBR ISO/IEC 17025 — pode indicar lacunas críticas na competência técnica, na imparcialidade e na confiabilidade dos resultados.


Contratar um laboratório não acreditado envolve riscos que transcendem o simples erro analítico. Resultados inconsistentes podem levar à liberação indevida de produtos contaminados, à reprovação injustificada de lotes conformes, a autuações regulatórias, à perda de certificações e, em casos extremos, a danos à saúde pública e ao meio ambiente. Além disso, sob o ponto de vista jurídico, laudos emitidos por laboratórios sem reconhecimento formal podem ser questionados em processos administrativos e judiciais.


Este artigo examina, sob uma perspectiva histórica, técnica e regulatória, os riscos associados à contratação de laboratórios não acreditados. Serão abordados os fundamentos da acreditação laboratorial, os marcos normativos nacionais e internacionais, os impactos práticos em diferentes setores industriais, as metodologias analíticas envolvidas e as perspectivas futuras para o fortalecimento da cultura da qualidade. Ao final, pretende-se oferecer subsídios técnicos para que gestores, pesquisadores e responsáveis técnicos tomem decisões informadas e alinhadas às melhores práticas científicas e regulatórias.

Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos da Acreditação Laboratorial


Evolução da Garantia da Qualidade em Laboratórios

A sistematização da qualidade em laboratórios tem raízes no movimento internacional de padronização iniciado no pós-guerra, com a criação da Organização Internacional de Normalização (ISO) em 1947. À medida que o comércio internacional se intensificou, tornou-se evidente a necessidade de harmonizar critérios técnicos para assegurar a comparabilidade de resultados analíticos entre países.


Nos anos 1980 e 1990, consolidou-se o conceito de acreditação como instrumento formal de reconhecimento da competência técnica de laboratórios. Diferentemente da certificação — que avalia a conformidade de um sistema de gestão a determinados requisitos — a acreditação envolve uma avaliação técnica aprofundada da capacidade de executar ensaios específicos com competência demonstrada.


No Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) tornou-se o organismo responsável pela acreditação de laboratórios, por meio da Coordenação Geral de Acreditação (Cgcre). A norma ABNT NBR ISO/IEC 17025 — atualmente em sua versão revisada de 2017 — estabelece os requisitos gerais para competência de laboratórios de ensaio e calibração.


Fundamentos da ISO/IEC 17025

A ISO/IEC 17025 baseia-se em dois grandes eixos: requisitos de gestão e requisitos técnicos. Entre os elementos centrais destacam-se:

  • Imparcialidade e confidencialidade.

  • Competência técnica da equipe.

  • Rastreabilidade metrológica.

  • Validação e verificação de métodos.

  • Controle de qualidade interno e participação em ensaios de proficiência.

  • Avaliação da incerteza de medição.


A rastreabilidade metrológica, por exemplo, assegura que resultados estejam vinculados a padrões nacionais ou internacionais reconhecidos, garantindo comparabilidade global. A ausência dessa rastreabilidade compromete a confiabilidade dos dados, tornando-os potencialmente inválidos para fins regulatórios.


Marcos Regulatórios Relevantes

Diversos órgãos reguladores exigem, direta ou indiretamente, que análises sejam realizadas por laboratórios acreditados. No contexto brasileiro:

  • A ANVISA exige comprovação da competência técnica em diversas resoluções relacionadas a medicamentos, cosméticos e alimentos.

  • O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) estabelece parâmetros analíticos para efluentes e qualidade da água.

  • O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reconhece laboratórios oficiais e credenciados para análises de produtos agropecuários.


Internacionalmente, agências como a U.S. Environmental Protection Agency (EPA) e a Food and Drug Administration (FDA) também estabelecem critérios rigorosos de validação e rastreabilidade.


Diferença Entre Laboratório Acreditado e Não Acreditado

Critério

Laboratório Acreditado

Laboratório Não Acreditado

Avaliação externa periódica

Sim (auditorias técnicas)

Não obrigatória

Participação em ensaios de proficiência

Obrigatória

Eventual ou inexistente

Validação documentada de métodos

Sistemática

Pode ser limitada

Reconhecimento internacional

Sim (acordos ILAC)

Não garantido

Aceitação regulatória

Alta

Variável

A ausência de acreditação não implica necessariamente incompetência técnica, mas aumenta a incerteza quanto à robustez dos processos e à confiabilidade dos resultados.


Importância Científica e Aplicações Práticas


Impactos na Indústria Farmacêutica

Na indústria farmacêutica, a confiabilidade analítica é fundamental para assegurar a eficácia e a segurança de medicamentos. Testes como teor de princípio ativo (via HPLC), impurezas relacionadas, endotoxinas bacterianas e esterilidade devem obedecer a farmacopeias reconhecidas (USP, EP, Farmacopeia Brasileira).


Um resultado incorreto pode resultar na liberação de um lote subpotente ou contaminado. Em 2018, por exemplo, recalls internacionais envolvendo medicamentos contaminados com nitrosaminas destacaram a importância da detecção precisa de impurezas em níveis traço.


Setor Alimentício

A segurança alimentar depende de análises microbiológicas (Salmonella spp., Listeria monocytogenes), determinação de resíduos de pesticidas e controle de micotoxinas. Um laudo inconsistente pode gerar surtos alimentares ou prejuízos econômicos significativos.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 600 milhões de pessoas adoecem anualmente devido a alimentos contaminados. A robustez analítica é, portanto, componente essencial da saúde pública.


Área Ambiental

No monitoramento ambiental, análises de DBO, DQO, metais pesados (por ICP-OES ou ICP-MS) e compostos orgânicos voláteis influenciam diretamente decisões sobre licenciamento e autuações. Resultados imprecisos podem levar tanto à subestimação quanto à superestimação de impactos ambientais.


Consequências Jurídicas e Reputacionais

Laudos emitidos por laboratórios não acreditados podem ser contestados judicialmente. Em disputas ambientais ou sanitárias, a credibilidade da prova técnica é central. Tribunais frequentemente consideram o reconhecimento formal da competência laboratorial como critério de robustez probatória.


Empresas que enfrentam autuações baseadas em análises frágeis podem sofrer:

  • Suspensão de atividades.

  • Multas administrativas.

  • Danos à imagem institucional.

  • Perda de certificações (ISO 9001, ISO 14001, BPF).


Metodologias de Análise e Exigências Técnicas

A competência técnica de um laboratório é demonstrada pela aplicação adequada de metodologias reconhecidas e validadas.


Técnicas Instrumentais

  • HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência): utilizada para quantificação de fármacos e contaminantes.

  • GC-MS (Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas): análise de compostos voláteis.

  • ICP-MS: determinação de metais em níveis traço.

  • Espectrofotometria UV-Vis: análises quantitativas baseadas em absorção de luz.


Essas técnicas devem seguir protocolos estabelecidos por normas como:

  • ISO 17025.

  • AOAC International.

  • Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (SMWW).

  • Farmacopeias oficiais.


Validação e Incerteza de Medição

A validação de métodos envolve avaliação de parâmetros como:

  • Precisão.

  • Exatidão.

  • Linearidade.

  • Limite de detecção (LOD).

  • Limite de quantificação (LOQ).


A estimativa da incerteza de medição é requisito essencial da ISO 17025, pois expressa quantitativamente o grau de confiança no resultado.


Limitações e Avanços Tecnológicos

Mesmo laboratórios acreditados enfrentam desafios, como:

  • Interferências matriciais.

  • Limitações instrumentais.

  • Custos elevados de calibração.


Entretanto, avanços como automação, inteligência analítica e espectrometria de alta resolução têm ampliado a sensibilidade e a robustez dos ensaios.


Considerações Finais e Perspectivas Futuras


A contratação de um laboratório não acreditado representa um risco estratégico que pode comprometer decisões técnicas, conformidade regulatória e reputação institucional. Em ambientes altamente regulados, a robustez dos resultados analíticos não é opcional, mas requisito essencial para a sustentabilidade empresarial.


A acreditação segundo a ISO/IEC 17025 oferece um arcabouço estruturado de garantia da qualidade, assegurando competência técnica, rastreabilidade e reconhecimento internacional. Embora o custo inicial possa ser superior, o investimento em análises realizadas por laboratórios acreditados tende a reduzir riscos de retrabalho, autuações e litígios.


O futuro aponta para maior integração digital, uso de big data analítico e fortalecimento de acordos multilaterais de reconhecimento. A cultura da qualidade deve evoluir de uma exigência regulatória para um compromisso institucional permanente.


Em síntese, a escolha de um laboratório não deve basear-se exclusivamente em critérios financeiros. A confiabilidade analítica constitui ativo estratégico, capaz de proteger a saúde pública, o meio ambiente e a integridade das organizações. Investir em competência técnica reconhecida é investir na credibilidade científica e na sustentabilidade de longo prazo.


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❓ FAQs – Perguntas Frequentes


1. O que significa contratar um laboratório não acreditado? Significa contratar um laboratório que não possui reconhecimento formal de competência técnica por um organismo de acreditação, como a acreditação segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025. Isso indica que o laboratório não passou por auditorias técnicas independentes que comprovem a validação de métodos, a rastreabilidade metrológica e a qualificação da equipe.


2. A ausência de acreditação compromete necessariamente a qualidade do resultado? Não necessariamente, mas aumenta significativamente o risco. Sem acreditação, não há garantia formal de que o laboratório segue requisitos técnicos internacionalmente reconhecidos, o que pode comprometer a confiabilidade, a repetibilidade e a aceitação regulatória dos resultados.


3. Quais são os principais riscos regulatórios ao contratar um laboratório não acreditado? Os riscos incluem a não aceitação de laudos por órgãos reguladores (como ANVISA, MAPA ou órgãos ambientais), autuações administrativas, exigência de reanálises por laboratórios reconhecidos e até suspensão de atividades em casos de inconformidade grave.


4. Um laudo de laboratório não acreditado pode ser contestado judicialmente? Sim. Em disputas judiciais ou administrativas, a credibilidade técnica do laudo pode ser questionada. A ausência de acreditação pode enfraquecer o valor probatório do documento, especialmente quando confrontado com análises realizadas por laboratórios acreditados.


5. Como verificar se um laboratório é acreditado? É possível consultar diretamente o escopo de acreditação no site do organismo acreditador, como o INMETRO no Brasil. É importante verificar se o ensaio específico contratado está incluído no escopo acreditado, pois a acreditação pode abranger apenas determinados métodos.


6. Quais setores são mais impactados por análises realizadas em laboratórios não acreditados? Setores altamente regulados, como farmacêutico, alimentício, cosmético e ambiental, são especialmente vulneráveis. Nesses segmentos, decisões críticas — como liberação de lotes, atendimento a normas sanitárias e licenciamento ambiental — dependem de resultados analíticos confiáveis.



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