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Legionella em Spas, Jacuzzis e Banheiras de Hidromassagem: Prevenção, Monitoramento e Protocolos Analíticos para Controle Sanitário.

  • Foto do escritor: Keller Dantara
    Keller Dantara
  • 18 de jan.
  • 6 min de leitura

Introdução


Spas, jacuzzis e banheiras de hidromassagem são ambientes associados ao relaxamento, à recuperação física e ao lazer. Contudo, quando não geridos sob rigorosos critérios sanitários, podem tornar-se reservatórios ideais para microrganismos oportunistas, entre os quais se destaca a Legionella spp. A presença dessa bactéria em sistemas de água aquecida representa um risco significativo à saúde pública, especialmente em estabelecimentos coletivos como hotéis, academias, clubes, condomínios residenciais e clínicas de estética.


A Legionella pneumophila, espécie mais frequentemente associada a casos clínicos, é o agente etiológico da Doença dos Legionários, uma forma grave de pneumonia atípica, além da febre de Pontiac, manifestação mais branda. A transmissão ocorre predominantemente pela inalação de aerossóis contaminados — um cenário típico em spas e hidromassagens, onde o borbulhamento constante da água favorece a formação de gotículas respiráveis.


Nas últimas décadas, surtos associados a sistemas de água aquecida têm motivado a criação de protocolos internacionais de vigilância e controle. Órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e a European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) estabeleceram diretrizes específicas para prevenção da legionelose em ambientes coletivos. No Brasil, normas da ANVISA e legislações estaduais também abordam o monitoramento da qualidade da água em instalações de uso público.


Este artigo examina, de forma aprofundada, os fundamentos científicos relacionados à Legionella em spas e hidromassagens, contextualiza sua importância sanitária e apresenta metodologias analíticas recomendadas para prevenção e controle. Serão discutidos aspectos históricos, mecanismos de proliferação, parâmetros críticos de monitoramento e protocolos laboratoriais reconhecidos internacionalmente.



Contexto Histórico e Fundamentos Teóricos


A Descoberta da Legionella e os Primeiros Surtos


A história da Legionella remonta a 1976, quando um surto de pneumonia ocorreu durante uma convenção da American Legion, na Filadélfia. O episódio resultou em 34 mortes entre 221 infectados. A investigação conduzida pelo CDC levou à identificação de uma nova bactéria Gram-negativa, posteriormente denominada Legionella pneumophila.


Desde então, estudos epidemiológicos demonstraram que a bactéria é ubíqua em ambientes aquáticos naturais, incluindo rios e lagos, mas torna-se problemática em sistemas artificiais de água morna, onde encontra condições ideais de multiplicação.


Ecologia Microbiana e Biofilmes


A Legionella apresenta comportamento oportunista e interage com protozoários presentes na água, especialmente amebas do gênero Acanthamoeba. Dentro dessas células hospedeiras, a bactéria encontra proteção contra agentes desinfetantes e condições adversas.


Em spas e hidromassagens, o risco é amplificado por três fatores principais:


  1. Temperatura da água entre 25 °C e 45 °C — faixa ideal para multiplicação bacteriana.

  2. Formação de biofilmes nas tubulações e superfícies internas.

  3. Produção constante de aerossóis devido ao sistema de jatos e borbulhamento.


Biofilmes são comunidades microbianas aderidas a superfícies, envoltas por matriz extracelular polimérica. Eles conferem resistência significativa a desinfetantes como cloro e bromo. Estudos publicados no Journal of Applied Microbiology demonstram que a presença de biofilme pode aumentar em até 1.000 vezes a resistência bacteriana aos biocidas.


Marcos Regulatórios Internacionais


Diversas normas internacionais abordam o controle de Legionella:


  • ISO 11731 — Detecção e enumeração de Legionella em água.

  • WHO Guidelines for Drinking-water Quality — Diretrizes para controle de patógenos aquáticos.

  • CDC Toolkit for Controlling Legionella in Common Sources of Exposure.

  • ASHRAE Standard 188 — Gestão de risco para sistemas de água em edifícios.


No Brasil, legislações estaduais como a Portaria CVS nº 5/2013 (São Paulo) estabelecem diretrizes para controle da bactéria em sistemas de climatização e água aquecida coletiva.


Importância Científica e Aplicações Práticas


Impactos na Saúde Pública


A legionelose apresenta taxa de letalidade que pode variar entre 5% e 30%, dependendo do perfil do paciente e do tempo de diagnóstico. Indivíduos imunocomprometidos, idosos e fumantes compõem o grupo de maior risco.


Dados do CDC indicam aumento progressivo de casos notificados nos Estados Unidos desde 2000, fenômeno associado ao envelhecimento populacional e à complexidade crescente das instalações prediais.

Em spas e jacuzzis, surtos são frequentemente associados a manutenção inadequada, falhas na desinfecção e ausência de monitoramento microbiológico periódico.


Setor Hoteleiro e de Hospitalidade


Hotéis, resorts e cruzeiros marítimos adotam protocolos rigorosos para evitar impactos reputacionais e jurídicos decorrentes de surtos. A implementação de planos de segurança da água (Water Safety Plans), recomendados pela OMS, tornou-se prática consolidada.


Estudo publicado no International Journal of Hygiene and Environmental Health evidenciou que programas estruturados de monitoramento reduziram em até 70% a incidência de detecções positivas em sistemas de água aquecida.


Clínicas, Academias e Condomínios


Ambientes com hidromassagens terapêuticas demandam controle ainda mais rigoroso devido à frequência de usuários com condições médicas específicas. Em condomínios residenciais, a responsabilidade técnica recai sobre síndicos e administradoras, que devem garantir conformidade sanitária.


Parâmetros Críticos de Controle


Os principais parâmetros a serem monitorados incluem:


  • Temperatura da água

  • Residual de desinfetante (cloro livre ou bromo)

  • pH

  • Turbidez

  • Presença de biofilme

  • Contagem de bactérias heterotróficas

  • Pesquisa específica de Legionella spp.


Abaixo, um resumo comparativo:

Parâmetro

Faixa Recomendada

Temperatura

< 20 °C ou > 50 °C (fora da faixa ideal de proliferação)

Cloro Livre

2–4 mg/L em spas

pH

7,2–7,8

Frequência de Análise de Legionella

Trimestral ou conforme avaliação de risco

Metodologias de Análise


Cultura Microbiológica (ISO 11731)


A metodologia clássica para detecção de Legionella baseia-se na cultura em meio BCYE (Buffered Charcoal Yeast Extract). O processo envolve:


  1. Filtração da amostra de água.

  2. Tratamento térmico ou ácido para reduzir microbiota interferente.

  3. Incubação por até 10 dias.


Embora seja o método de referência, apresenta limitações como tempo prolongado de resposta e possibilidade de subestimação devido a células viáveis não cultiváveis (VBNC).


PCR em Tempo Real (qPCR)


Métodos moleculares permitem detecção rápida e específica do DNA bacteriano. A qPCR reduz o tempo de análise para 24–48 horas. No entanto, pode detectar células inviáveis, exigindo interpretação criteriosa.

Normas como a ISO/TS 12869 orientam métodos moleculares complementares.


Ensaios Complementares


  • Contagem de Bactérias Heterotróficas (SMWW 9215)

  • Análise de Biofilme por swab microbiológico

  • Monitoramento de parâmetros físico-químicos (APHA Standard Methods)


Avanços Tecnológicos


Técnicas como metagenômica e biossensores em tempo real começam a ser aplicadas em pesquisa, permitindo monitoramento contínuo e identificação precoce de risco microbiológico.


Considerações Finais e Perspectivas Futuras


A prevenção da proliferação de Legionella em spas e hidromassagens exige abordagem integrada, combinando engenharia sanitária, controle operacional e monitoramento laboratorial sistemático. Não se trata apenas de atender requisitos regulatórios, mas de proteger a saúde dos usuários e preservar a integridade institucional.


A tendência global aponta para implementação obrigatória de planos de gerenciamento de risco microbiológico em sistemas prediais de água. Tecnologias emergentes poderão tornar o monitoramento mais ágil e preditivo, reduzindo dependência exclusiva de análises pontuais.


Instituições que adotam práticas preventivas, com análises periódicas e protocolos bem documentados, demonstram compromisso com segurança sanitária e responsabilidade técnica. Em um cenário de crescente vigilância epidemiológica, o controle rigoroso da Legionella deixa de ser diferencial e passa a ser requisito essencial de governança sanitária.


O avanço científico continuará a refinar métodos de detecção e estratégias de mitigação. Contudo, a eficácia das ações depende, fundamentalmente, da conscientização dos gestores e da implementação sistemática de boas práticas operacionais.


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FAQs – Perguntas Frequentes


1. O que é Legionella e por que ela representa risco em spas e jacuzzis? 

Legionella é um gênero de bactéria presente naturalmente em ambientes aquáticos, mas que pode se proliferar em sistemas artificiais de água aquecida. Em spas, jacuzzis e banheiras de hidromassagem, a combinação de temperatura morna e formação de aerossóis favorece a multiplicação e a inalação da bactéria, podendo causar a Doença dos Legionários, uma forma grave de pneumonia.


2. A presença de cloro na água elimina totalmente o risco de contaminação por Legionella? 

Não necessariamente. Embora a manutenção adequada do residual de desinfetante reduza significativamente o risco, a bactéria pode sobreviver em biofilmes ou no interior de protozoários, o que dificulta sua eliminação completa apenas com desinfecção química convencional.


3. Como ocorre a contaminação em spas e hidromassagens? 

A contaminação pode ocorrer devido a falhas na manutenção, temperatura inadequada da água, circulação insuficiente, formação de biofilmes nas tubulações ou ausência de monitoramento microbiológico periódico. Sistemas mal projetados ou pouco utilizados também aumentam o risco.


4. Quais análises laboratoriais devem ser solicitadas para controle de Legionella? 

Recomenda-se a pesquisa específica de Legionella spp. por cultura (conforme ISO 11731) e, quando aplicável, métodos moleculares como PCR. Também são importantes análises complementares, como contagem de bactérias heterotróficas, monitoramento de pH, cloro residual, temperatura e avaliação de biofilme.


5. Com que frequência spas e jacuzzis devem ser monitorados para Legionella? 

A periodicidade depende da avaliação de risco e das exigências regulatórias locais. Em ambientes coletivos, recomenda-se monitoramento microbiológico periódico — frequentemente trimestral — aliado ao controle operacional contínuo dos parâmetros físico-químicos.


6. A realização de análises laboratoriais periódicas ajuda a prevenir surtos? 

Sim. Programas estruturados de monitoramento permitem identificar precocemente condições favoráveis à proliferação da bactéria, possibilitando intervenções corretivas antes que ocorram casos clínicos ou surtos associados ao estabelecimento.



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